4 de março de 2010 em Games
Chrono Trigger
1000 A.D. Uma manhã clara e suave em Truce, vila localizada no poderoso reino de Guardia. Em uma das várias casas da vila, dorme um heroi – mesmo que ele não saiba disso. Ele está aproveitando o melhor do sono em sua cama quando sua mãe carinhosamente o acorda. Preguiçosa e lentamente, ele levanta da cama e sai de sua casa. Era um dia muito especial; estava acontecendo a feira do milênio na praça da cidade. Ele só não imaginava que não era só este simples acontecimento que fazia aquela data tão especial. Era naquele dia que ele ia iniciar uma longa e incansável jornada para salvar o mundo de suas futuras gerações.

Bom dia, Crono!
Os mais entendidos de videogame com certeza já entenderam que o heroi em questão é Crono, do famoso game para Super Nintendo da Square-Enix de 1995 Chrono Trigger. Qualquer pessoa que me conheça, mesmo que só um pouco, sabe que se alguém me perguntar qual é meu jogo preferido, não hesitarei em responder que é esse. CT não é só um JRPG qualquer entre milhares de outros. Ele é uma obra de arte no formato de um game.
Talvez eu esteja exagerando um pouco, Talvez eu seja suspeito pra falar desse jogo (e de fato sou), mas fato é que Chrono Trigger é um jogo pra nerd nenhum botar defeito. Quando foi lançado, já fez uma enorme revolução no mercado de RPGs. Também, pudera: Final Fantasy era quase uma unanimidade quando se falava de RPGs. Chrono Trigger chegou com um sistema de batalha novo, gráficos melhorados, uma trilha sonora sensacional e uma história incrivelmente envolvente.

Crono dando um rolê com a mina
Eu poderia escrever dezenas de parágrafos sobre o quão sensacional é a música de Chrono Trigger, ou como é legal o sistema de luta e equipamentos. Mas seria uma heresia eu não falar da história do jogo. A história do jogo é simplesmente genial, do tipo que deixa o jogador sempre com mais vontade de continuar jogando até terminar o jogo (em um de seus vários finais, mas disso eu falo depois). Como eu citei no primeiro parágrafo, este não é o tipo de jogo que você já começa com o seu personagem bancando o todo-poderoso e já sabendo que ele tem que salvar o mundo todo dia, que isso é a rotina dele e etc. Crono é apenas um garoto normal como tantos por aí que por uma ironia do destino acabou descobrindo o que de fato acontecia com o planeta e também o trágico fim que o mesmo teria, não fosse a intervenção dos personagens principais.
Apesar do roteiro “salve o mundo” ser um baita clichê (e já era na época, acredite), Chrono Trigger faz questão de inovar mesmo usando algo tão básico como base para a sua história. O “Chrono” do nome do jogo está relacionado ao tempo, que é, basicamente, a essência do jogo. Primeiro você vai ao futuro, descobre o que aconteceu, depois volta ao passado para evitar que o futuro aconteça dessa forma, mudando o destino da humanidade. Enquanto isso, porque não voltar para o presente para falar com sua mãe ou ganhar alguns trocados nos jogos da Feira do Milênio? E não seria uma boa idéia ir para o final dos tempos treinar um pouco com um monstro que fica mais forte de acordo com o crescimento do próprio protagonista?

Dorgas, mano!
Parece confuso, não parece? Mas não é. Os fatos do jogo são organizados de uma forma tão linear que é quase impossível você ficar empacado numa parte do jogo. Tanto é que, para um fechamento normal do jogo, você não precisa parar para treinar os personagens. Se você não foge das lutas nas dungeons, o seu personagem estará certamente preparado para enfrentar mesmo os mais poderosos mestres (com suas exceções, é claro).
Outro fato interessante ainda sobre a história do jogo e como as coisas correm é que há várias maneiras de fazer um mesmo fato. Você poderá, muitas vezes, poder optar por fazer algo que é necessário para a história do jogo agora ou depois, de acordo com a sua opinião mesmo – não faz diferença. Assim como uma ação supostamente sem importância alguma pode vir modificar um fato no futuro, como é o caso do Julgamento de Crono. Tanto é que Chrono Trigger, na sua versão de SNES, tem 13 finais diferentes, sendo que dez deles só podem ser acessíveis depois de finalizar o jogo uma vez, o que aumenta o fator replay do game.

Te vejo no céu.
Mas toda essa perfeição na história do jogo não seria tão boa se não houvesse uma trilha sonora de mesmo nível para acompanha-la. E nem nisso Chrono Trigger peca: A Trilha Sonora do game é boa a ponto de você ouvir uma música anos depois de jogar o jogo e reconhecê-la (e achar sensacional). A OST composta pelo genial Yasunori Mitsuda não poderia ser mais bem-feita para acompanhar os momentos do jogo. Existe uma música adequada para cada momento do jogo. Uma música para um momento triste, uma para um momento feliz, uma para batalhas (o que é óbvio), para dungeons, jogos, situações cruciais ao enredo… Enfim: Uma trilha sonora ao nível do jogo.
Antes que eu conte a história do jogo toda, existem outros pontos na mecânica do jogo que merecem destaque: A forma com que as lutas aparecem nas dungeons é diferente da maioria dos JRPGs da época. Nada da tela piscar enquanto você está andando e você ser teleportado para uma batalha; você vê os monstros enquanto anda no cenário, o que te dá a opção de encarar os inimigos ou fugir – o que não é recomendado.

Um cogumelo assassino, mano!
Chrono Trigger, sem dúvida alguma, é um jogo que todo gamer, sem exceção, deve jogar um dia. A forma com que o roteiro é executado, a trilha sonora do jogo, as possibilidades, os diálogos e as situações vão sem dúvida alguma trazer momentos que vão te fazer ficar realmente emocionado com o enredo do jogo, o que faz com que você se envolva com o jogo de forma com que você provavelmente nunca se envolveu com outro jogo.
Se você nunca jogou CT, a minha recomendação é: Jogue-o o mais rápido possível. Mas jogue com calma, preste atenção nos detalhes geniais que o jogo traz, leia os diálogos, explore as possibilidades. E se você já terminou uma vez, por que não fazer um final novo? Chrono Trigger nunca enjôa. Agora, me dá licença que eu vou ali jogar. Como assim você ainda não sabe qual jogo?
